Negócio

Importadores privados dizem que os termos do programa de subvenção ao diesel anunciados pelo governo na semana passada não serão suficientes para retomar as compras externas do combustível, que despencaram após o início da guerra no Irã.

No pacote para conter os preços do diesel, o governo anunciou o pagamento de um incentivo a produtores e importadores de diesel no valor de R$ 0,32 por litro, até 31 de dezembro, com limite de R$ 10 bilhões no total.

No entanto, segundo empresas ouvidas pela Folha, a elevada defasagem entre os preços da Petrobras e as cotações internacionais, além da pressão do governo sobre revendedores que repassarem alta de preços às bombas, inviabilizam compras no exterior por empresas independentes.

"Parei de importar porque ninguém quer pagar o preço do diesel importado", diz Ramon Reis, sócio da Nimofast, que opera na importação e distribuição. "Não dá para competir com o preço que a Petrobras cobra", afirma Livia Verjosvky, diretora comercial na importadora WM Trading.

O Brasil depende de importações para abastecer cerca de 30% do consumo de diesel.

A redução das importações levou a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) a anunciar na semana passada uma série de medidas para enfrentar "situação excepcional de risco" ao abastecimento em abril.

As compras externas caíram quase 60% nos primeiros 17 dias de março, disse a agência. E a expectativa do mercado é que o ritmo se mantenha. Executivos ouvidos pela Folha dizem que a programação de chegada de navios para as próximas semanas representa menos da metade do necessário.

A WM ainda tem embarcações a caminho, mas com produtos comprados antes do início da guerra. Verjosvky diz que, após a explosão dos preços no mercado internacional, a empresa não fez nenhum pedido.

A Petrobras fez um reajuste de R$ 0,38 por litro após o início da guerra, mas as defasagens em relação às cotações internacionais continuam em patamares recordes.

Na abertura do mercado desta segunda-feira (23), por exemplo, o litro do diesel nas refinarias da estatal custava R$ 3,09 a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

Nicola Pamplona e Pedro Lovisi – Folha de S.Paulo

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